terça-feira, 5 de abril de 2011

O Matador

"Piadas de preto, de português, de japonês. Eu odeio piadas. Não gosto que me contem, não rio, não acho graça. Com a piada do macaco, que me foi contada aos cinco anos, por um tio italiano, aconteceu o inverso. Fixei-me nela.
A estrada é de terra, deserta. O homem solitário desce de carro para a simples operação da troca de pneu e constata que está sem o macaco. Um ponto de luz no topo da montanha dá-lhe esperança, há homem ali, há macaco. O homem caminha em direção à luz. Certamente aquele ermitão tem um macaco. Emprestará ? Claro que sim. O macaco pode estar quebrado. Não estará quebrado. Alguém pode tê-lo roubado. Ninguém o roubou, mas o ermitão poderá simplesmente não emprestá-lo. Claro que não emprestará, é um veado o ermitão. Não emprestará de forma alguma. Aquele idiota não vai emprestar o macaco. Não vai mesmo, aquele imbecil quer que o mundo se foda. Pensamentos ruins vão se formando na mente do homem solitário, enquanto seu fígado é estragado pelas enzimas do ódio. Ele nem percebe que caminhou oito quilômetros. Pára em frente ao casebre. Bate na porta. Um senhor vem abri-la, sorri gentilmente, pois não, ele diz. Enfia o macaco no cu ! "


Trecho do capítulo 2 de O MATADOR.
Autoria de Patrícia Melo ( maravilhosa )

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

amanhã ou depois... vai passar !

Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita.
Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, dói demais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Dez chamamentos ao amigo - VI


Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás meu verso.
Distanciado
Dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?
E te pareço bela
Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos aventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?
Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?




quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

conte

Por que é que você coloca todas as mulheres da festa no colo ? E quando eu te peço colo você não me dá ?